domingo, 30 de julho de 2017

Troféu 5 Violinos: estará já afinada a orquestra?

Com a realização do Troféu Cinco Violinos (boa ideia a dos 5 violinos no relvado) chegou ao fim a pré-temporada. O jogo com a Fiorentina era esperado com alguma expectativa, atendendo que o que se havia visto nos jogos anteriores tinha deixado algumas preocupações quer relativamente à evolução da equipa, quer a alguns elementos e sectores. 

Nesse sentido, a escolha do adversário não poderia ter sido mais feliz, não apenas tendo em conta a relação especial que existe entre as duas principais claques dos respectivos clubes, como pelo aquilo que os italianos representam neste momento. A equipa viola, sendo um nome sonante, está ainda numa fase de preparação anterior à nossa. Os primeiros compromissos a sério só terão lugar no final do mês, faltando ainda aguardar pelos efeitos recomposição  do plantel, após importantes saídas (Borja Valero, Bernadeschi, Ilicic). Assim, a vitória alcançada reforçou certamente a auto-confiança dos jogadores e acalmou teorias mais pessimistas nas bancadas.

Mas, pese embora o bom resultado, o confronto com os italianos esteve longe de ser um teste exigente, como poderia ser daqui a um mês. E certamente não apagou as interrogações deixadas nos jogos anteriores. De forma surpreendente, não foi desta vez a defesa a dar as maiores preocupações, quer porque quase todos estiveram bem, quer porque os italianos ainda têm muito que caminhar na ligação do seu jogo.

Para esta subida na prestação defensiva três factores decisvos: o abandono da ideia ainda por assimilar dos "três centrais", o contributo de William (boa lição de como ler o jogo, orientar os apoios, sair da pressão com a bola jogável) ao lado do quase sempre aflito Tobias e a presença mais à frente de Battaglia. A má noticia é que com isto William pode por JJ a pensar em voltar atrás outra vez na história do número de centrais. É justo também mencionar que quer Gélson, quer Acuña se mantiveram sempre vigilantes. Menção para Picinni, que teve a sua melhor presença até ao momento, mesmo considerando o que foi dito acima sobre a exigência colocada pelos italianos.

A produção de lances de ataque é que deixou muito a desejar. Bas Dost lá molhou a sopa, mas quase nunca foi servido. Doumbia entrou numa fase em que o jogo já tinha acabado, tantas foram as substituições, mas teve o mesmo problema. E parece que afinal JJ não o vê como parceiro do holandês. Gélson, apesar de agitar o jogo ainda tem por afinar a decisão final. Mas tanto ele como Podence (para já, o lugar é dele) são uma promessa da imprevisibilidade e criatividade com que desmontam as defesas. O lençol de Acuña ainda não estica o suficiente para desequilibrar à frente, mas é um jogador de equipa e finalmente parece que temos homem para as bolas paradas que não sejam meros chutões para a molhada.

A vitória dissipou todos os receios e problemas? Certamente que não. Se possível haverá post para falar mais em pormenor de alguns deles, mas é óbvio que os erros de planeamento da defesa (não é apenas o lateral em falta...), a questão física (Bataglia, Coentrão, entre outros, não têm pernas para 90 minutos e está aí agosto cheiinho de jogos) são as que mais me preocupam para já. Isto sem saber se algum marajá estará na disposição de bater as cláusulas de rescisão dos nossos melhores. É que dos excedentes nem novas nem mandados...

Nota final para o videoárbitro, o que se tem assistido até agora tem vindo a provar ter chegado com décadas de atraso. E muito bem também a comissão de arbitragem a divulgar as decisões através de uma conta especialmente criada no Twitter: @Viedeoarbitro

sábado, 29 de julho de 2017

Pré-época triste que é o anúncio de mais uma época de fracasso. Fosse quem fosse o treinador enquanto não existir sanidade não existirão condições para jogar bom futebol.

Enquanto decorre uma pré-temporada apática e marcada pelo desânimo, aproximando-se uma pré-eliminatória que poderá significar uma presença na fase de grupos da LC (com repercussões negativas, prevejo, na produção duma equipa que entre Setembro e Dezembro andará aos papéis), não é preciso esperarmos pelo início das provas Nacionais para adivinhar que esta época está condenada ao fracasso. Além de ter voltado a falhar na reformulação do seu plantel e de somar por isso exibições sofríveis com resultados a condizer, o clube assemelha-se neste momento ao Sporting liderado por José E. Bettencourt no início de 2009/10. É em tudo semelhante. Para tal, é inegável, contribuem a sucessão de épocas desapontantes, a progressiva desvalorização de um plantel, a franca incapacidade para bem renová-lo, e treinadores (então, e agora) fragilizados. Por motivos (estou certo) alheios à sua pessoa, é curioso e simultaneamente desagradável ver como este Sporting conseguiu transformar um treinador especial e ganhador numa espécie de Paulo Bento. Tal como para este (Bento) em 2009/10, paira actualmente sobre Jorge Jesus uma aura estranhamente perdedora e até macabra. Pior, uma aura que se pressente incontrariável, 'estado de coisas' imputável ao presidente do Sporting que negando as expectativas que a vinda de Jorge Jesus gerou em 2015, permitiu que a sua patologia contaminasse a clarividência e a saúde mental de um dos mais brilhantes e intuitivos treinadores de futebol no mundo. João Vale e Azevedo conseguiu em tempos fazer o mesmo com Jupp Heynckes, reduzindo o talentoso, ultra-ganhador e personalizado treinador Germânico a uma espécie de boneco esmorecido. Sem brilho. Há uns dias meditava sobre os motivos pelos quais Jorge Jesus, tomando opções muito estranhas, não consegue acertar na gestão do seu plantel. É que num clube como o Sporting essa tarefa é especialmente fácil. Extremamente fácil. Em simultâneo, meditava sobre as razões pelas quais o clube evidencia uma propensão esquisita para recrutar jogadores familiares e que soam a sopa do século passado. Não pensava nesse momento em Fábio Coentrão mas em Elias, Insúa, João Pereira e Wolfswinkel, jogadores nuns casos contratados e noutros não contratados mas desejados no último ano e meio, ou hipóteses que lhe foram apresentadas e que o treinador do Sporting não viu, no mínimo, como indesejáveis. O motivo é o seguinte: A convivência com o presidente do Sporting. O dia-a-dia dentro do clube. O carácter em simultâneo informal mas exagerado / preponderante / marcadamente pessoal que Bruno de Carvalho empresta ao funcionamento da instituição. As conversas recorrentes entre ambos sobre o passado e o presente do clube. Consigo perfeitamente imaginar Bruno de Carvalho com a sua mentalidade nefasta e comportamento de anormal, a sua gabarolice, conversas doentias e vazias de conteúdo que em face do carácter provinciano de ambos, plantou em Jorge Jesus a 'tara' ou a fantasia que o veria transformar o Sporting num clube vencedor com socorro a jogadores que nos representaram nalgumas das nossas piores épocas dos últimos 9 anos. E foi também este o motivo pelo qual Octávio saiu do clube: A convivência diária com o presidente do Sporting.

Tal como Octávio, Jorge Jesus não chegará ao fim da época.

O Sporting está doente ...

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Sporting 0 - Vitória Guimarães 3: foi só fumaça

O Sporting sofreu nova derrota e continuou a sofrer golos. Sendo verdade que esta é altura para afinar "a orquestra" e nesse processo é natural  o aparecimento de erros, não é menos verdade que há algumas indicações transversais a toda a pré-época a merecer atenção.

Mas as condicionantes com que o Sporting abordou o jogo e as próprias incidências da partida podem tem transformado a partida numa inutilidade, dentro do contexto de preparação da equipa para os compromissos imediatos. Demasiadas lesões impediram que o jogo servisse para a consolidação de rotinas, especialmente na defesa, que é quase toda composta por elementos que se desconhecem entre si.

Paradoxalmente, seria a expulsão precoce de Coates que haveria de "contribuir" para soar as campainhas e tocar a reunir. O uruguaio tem tido uma pré-época muito abaixo do que já mostrou ser capaz e, naquele momento, era apenas um dos vários que acumulava erros de posicionamento e abordagem aos lances, não se constituindo num referencial de experiência e saber que dele se espera.

Daqui ressalta a dúvida legitima sobre a qualidade das segundas linhas. Nas laterais, apenas Coentrão está ao nível do que se exige para o Sporting, ficando a dúvida sobre a sua prontidão física. Jonathan teve um jogo não para esquecer mas para lembrar que o tempo de retorno a Buenos Aires não funcionou a favor do seu crescimento.  Piccini, enfim.. e não tem substituto. Nas centrais Tobias Figueiredo esteve ao nível do passado, demonstrando que as falhas de concentração estão para durar. André Pinto ainda quase não apareceu. Como é que forma uma defesa de três centrais com tantas dúvidas?

Mas os problemas não se ficaram por aí. À frente da defesa muitas dificuldades para pegar no jogo e para ajudar atrás, pelo menos até à expulsão. Foi o retorno ao tradicional 4x4x1 (jogávamos com menos 1) que trouxe alguma estabilização do nosso jogo, acabando por construir lances de golo que esbarraram quase sempre numa actuação fabulosa de Miguel Silva, que parece um especialista em travar o Sporting mas não iguala o mesmo nível com outros adversários.

Notas positivas ainda assim para Doumbia que, apesar de não ter marcado, jogou e fez jogar. Mas na posição dele é o golo que mais conta... Bem também Iuri, a dizer presente num jogo nada favorável. Tal como Gélson, Bruno Fernandes e Podence, anulando a vantagem numérica do adversário.

Nota importante: é bom saber que o presidente do Sporting foi ilibado da acusação de ter cuspido no seu homólogo arouquense. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Matheus Pereira & Francisco Geraldes: como não gerir o talento

Matheus Pereira e Francisco Geraldes são dois exemplos de como atrasar a progressão e afirmação de um jogador. O jogador de origem brasileira é apontado frequentemente como possuidor de grande talento e potencial mas até agora as possibilidades de o demonstrar e afirmar ficaram-se por jogos no escalão secundário e uns breves fogachos na equipa principal. Com 21 anos de idade tem uma reduzida experiência competitiva ao mais alto nível, o que dificilmente lhe proporciona situações que o desafiem e em consequência o obriguem a crescer. Vai finalmente poder rodar numa equipa de primeira divisão, algo que já podia e devia ter acontecido há pelo menos um par de anos.

Francisco Geraldes já teve essa oportunidade, que só não correu melhor porque lhe foi retirado o tapete de forma abrupta debaixo dos pés. Mas os poucos meses em Moreira de Cénegos serviram para mostrar um jogador cheio de um talento muito escasso: a inteligência. É por isso que as suas acções com ou sem bola revelam quase sempre intenção e têm consequência. A ideia de que o jogador "não tem intensidade" só pode vir de quem não o seguiu com atenção no Moreirense e até perdeu a final da Taça da Liga. Melhor seria falarem de lagares de azeite, ou dos fogos, em que há sempre especialistas.

Só há uma forma de impedir a afirmação de um jogador como ele: não o deixar jogar, que foi afinal aquilo a que o clube o sujeitou nos últimos meses da época e também nesta pré-época. Tivesse ele a sorte de Picinni ou Matheus Oliveira... Veremos o que lhe vai ser proporcionado para o inicio desta época, é difícil de prever que possa ser pior do que teve à disposição até agora. Mas um jogador como ele não precisará de muito para pelo menos se destacar dos restantes, mesmo que o projecto de que fará parte não seja o que este momento da carreira exige. 

domingo, 23 de julho de 2017

Sporting 2 - Mónaco 1: Leão confortável com Jardim do Mónaco

O Sporting regressou a casa, após o estágio na Suiça. E aquilo que se havia por lá tinha deixado algumas dúvidas e muitos receios, particularmente do resultado pela opção de construir uma defesa nova em torno da permanência de Coates. Nesse sentido pode-se dizer que o jogo permitiu pelo menos perceber que há razões para reduzir os níveis de pessimismo, devendo ser levado em linha de conta o poder de fogo do Mónaco. E mesmo o facto de termos voltado a sofrer um golo não pode ser excessivamente valorizado, atendendo que ele resultou de um oferta individual. Quem sabe Tobias quis, em nosso nome, presentear Leonardo Jardim, agradecendo-lhe o tempo que esteve connosco...

O onze inicial serviu para revelar algumas das ideias principais de Jorge Jesus para um Sporting sem Adrien e William, do que resultou um sentimento misto. À luz do que se pode ver neste momento a saída de Adrien estaria razoavelmente coberta pela chegada de Bruno Fernandes. Embora de características e estilos diferentes entre eles, não parece que a equipa oscilaria muito. Já em relação a William o caso muda de figura, e parece que o próprio fez questão de nos demonstrar isso ontem, especialmente. Que entrada e que contraste com tudo o que tínhamos visto até ali por Battaglia, sendo quase certo que estaríamos a dizer o mesmo se a opção tivesse recaído em Petrovic.

Neste momento não tenho dúvidas em reafirmar algo que tinha dito aqui há dias: o Sporting, com as opções que tem neste momento à disposição, ficará mais fraco caso se confirmem as saídas destes dois jogadores. Perante a saída de Adrien, Bruno Fernandes tem já uma candidatura sólida. E com o necessário substituto à altura (para que as ausências tenham cobertura), mas cujo nome não vou pronunciar, não vá JJ ler isto aqui por acaso...

O caso de William será contudo o que mais condicionará o nosso jogo, ou obrigará JJ a procurar outras soluções que devolvam à equipa a qualidade de soluções (sobretudo a construir, ligar sectores e quebrar linhas à sua frente) que ele oferece. Battaglia até poderá oferecer melhor sentido posicional a defender mas não mais do que isso. É claramente um jogador de transporte, não de descobrir linhas de passe. Algumas delas até parece que só William conhecer...

De salientar o bom jogo de Acuña que, pelo pouco tempo que tem, nem deve ainda saber os nomes de todos os colegas. Mas de bola parece perceber ele, confirmando algumas das sensações que havia deixado ainda na Argentina: bom pé esquerdo e sentido de equipa que será determinante para uma boa integração e adaptação europeias. Aquele pé esquerdo parece capaz de meter muitas (a)cuñas na renovação do titulo de melhor marcador de Dost. Grande sociedade em perspectiva.

Falando de integração dou dois passos atrás, voltando ao sector recuado, merecendo duas notas de tom diferente: O francês Mathieu deu mostras de maior integração e entendimento com Coates e Coentrão mas ainda longe do que espera de um jogador com a sua experiência, curriculum e origem. Já Piccini apenas acentua a cada jogo que passa as mais variadas interrogações sobre as razões da sua contratação. Jesus ganhou fama de conseguir fazer grandes e surpreendentes adaptações. Esta, a acontecer, será das mais surpreendentes, conseguir adaptar um lateral direito mediocre a... lateral direito razoável.

Uma surpresa negativa foi Doumbia, que se espera tenha resultado de um mau momento de forma, como JJ justificou no final do jogo. Contei pelo menos seis (!) fora-de-jogo no pouco tempo que esteve em campo. Se já eram muitas as minhas dúvidas sobre as características deste jogador face ao nosso campeonato e sobre a possibilidade de interacção com Bas Dost, junta-se agora uma outra: para que queremos um jogador experiente, quase veterano, a comportar-se como de um jovem inexperiente se tratasse perante a armadilha do fora-de-jogo?

Nota alta para os regressos em grande nível, dado o pouco tempo de trabalho, de Patrício (falta só o jogo com os pés..) e Gélson. Ao que parece até com novo repertório de fintas e reviengas, tendo a presença na selecção reforçado a confiança ao ponto de pisar terrenos que habitualmente evita, como quem anuncia que falta pouco para ser tudo dele.

Vem aí agora o Guimarães, jogo que considero de maior importância do que este para avaliação do verdadeiro estado da arte da nossa máquina no que ao mais importante desafio temos pela frente: o campeonato nacional.







sexta-feira, 21 de julho de 2017

Então é assim que vamos para a "guerra" do título?

Octávio Machado resolveu voltar a dedicar-se à agricultura, talvez porque deixou de acreditar que tão cedo haja colheitas dignas de registo em Alvalade. Quem sabe não foi a sua presença que ajudou a resolver (esperemos que esteja mesmo resolvido) o problema do relvado. Mas antes de sair resolveu dar uma entrevista ao canal de TV do CM (não me atrevo a usar os nomes por extenso, por causa do cheiro) muito ao estilo que o celebrizou: "vocês sabem do que eu estou a falar".

Duas questões: ninguém sabe do que ele quis falar e ninguém reconheceu o Octávio leal de outrora. Sim, porque esse não daria uma entrevista a um canal que não trata bem o grupo a que até agora pertenceu e que tem pela verdade o mesmo apego que o azeite nutre pela água. Talvez tenha seguido pela última vez o exemplo do seu até agora presidente na gestão pouco cuidada dos exclusivos que lhes concede... Ou talvez a sua lealdade seja em primeiro lugar por quem o escolheu para o lugar de director desportivo (Jorge Jesus) quando saltava à vista de todos que as funções primordiais eram as de seu guarda-costas nos insidiosos corredores de Alvalade e como fiel escudeiro.

Se ninguém percebeu muito bem ao que vinha Octávio, ainda mais baralhado terá ficado com a entrevista de Bruno de Carvalho. O ex-director até tinha sido comedido, pelo que cabia ao presidente, tivesse este em primeiro lugar os interesses do clube, deixar cair, até porque nada de interesse havia ali. Num estilo que o penaliza pessoalmente, decide abrir uma guerra com alguém que até tinha feito um esforço para lhe ser simpático (defendeu muitas das suas escolhas controversas). Acabou assim por estender o tapete a Octávio, a quem os média gostam de dar tempo porque sabem que ele lhe é bem pago em audiências.

Ao invés de mobilizar as hostes, tocar a reunir para o muito que nos espera, o melhor que terá conseguido foi abrir uma nova frente de batalha, como se não as tivéssemos já de sobra. E ainda por cima dando o flanco sobre os seus critérios de gestão: permitiu a presença de uma terceira escolha, de alguém que considera desactualizado, mas deixou que permanecesse o tempo que quis e saísse pelos seus próprios pés!

Mas talvez o elefante no meio da sala esteja a passar despercebido: sendo Octávio o homem de confiança de Jorge Jesus, que o próprio fez questão de escolher, mais preocupante do que deixar agora o treinador desprotegido é que a sua saída seja reveladora de falta de identidade e comunhão de ideias entre as duas pessoas com mais responsabilidades no nosso futebol. Talvez a grande diferença entre JJ e Octávio esteja apenas nos contratos e nas cláusulas de rescisão. Bom, e talvez no tamanho da horta que têm para cuidar...

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Balanço de estágio na Suiça: mudaram-se caras mas não os problemas

Com a realização do jogo com o Marselha chegou ao fim o estágio na Suíça. Ninguém imaginaria que o encerramento desta importante etapa encerrasse todas as dúvidas mas no balanço final as preocupações sobre o que será esta equipa capaz de produzir no imediato vão ainda continuar. Ficam algumas notas sobre o que me parecem serem merecedoras de destaque:

Organização
Nenhuma equipa ganha um campeonato na pré-temporada mas muitas já o perderam por planeamento deficiente. Não era preciso vir Jorge Jesus mesmo alguns os jogadores apontarem problemas causados pela organização pouco cuidada do estágio para deles se dar conta. Das questões logísticas (deslocações cansativas) às questões técnicas (qualidade dos adversários e jogos consecutivos) tudo pareceu ter sido o resultado de falta de rigor no planeamento. Mas a declaração pública torna as coisas ainda piores. Afinal de quem é a responsabilidade? E estas matérias não deveriam ser discutidas internamente, ou pretende-se enviar o recado a alguém?

Defesa nova, problemas velhos
À entrada de novos jogadores (novos no clube, não em idade...) que alegadamente deveriam contribuir com a experiência para dar maior estabilidade e segurança correspondeu afinal uma média de golos encaixados por jogo muito superior ao que estamos "autorizados" a consentir. Mas talvez mais importante que o número talvez tenha sido a forma que eles foram concedidos que mais chamaram à atenção.

Parecem parecem para já claros os problemas causados pela de falta de qualidade de alguns elementos (Piccini) e de no imediato pelo menos ritmo e identificação (Mathieu, Coentrão). O resultado são descoordenações comprometedoras decisões erradas em função do que o jogo pedia em determinados momentos. E, claro, quem joga com Jug na baliza perde o direito a reclamar do número de golos que encaixa.

Dúvidas: Estamos na presença de problemas inerentes à recomposição efectuada no sector, resolúveis com o treino? Os jogadores escolhidos têm o perfil adequado às necessidades dos desafios e mesmo ao(s) sistema(s) a implementar pelo treinador?

Mas a questão parece ser mais estrutural do que apenas do sector mais recuado ou deste ou aquele jogador que o compõe: JJ quer uma equipa a pressionar alto mas a pressão é ainda muito descoordenada e pouco intensa. E jogadores apontados à titularidade (Dost, Doumbia, Alan Ruiz) não parecem talhados para o fazer. Um problema que o ano passado foi fatal.

O que se viu nos jogos iniciais é que o problema subsiste, independemente do 4x3x3 ou 3x5x2 e respectivas variantes. Os adversários dispuseram de grande liberdade para sair a jogar e, quando a equipa perde a bola - o que aconteceu várias vezes em momentos proibidos - a resposta está frequentemente condenada ao fracasso. O espaçamento entre os sectores, que reduz o número de elementos disponíveis para a contenção ou oposição às movimentações do adversário. 

Médios que para já só parecem... médios 
Para acentuar a suspeita de podermos estar na presença de problemas por resolver que se arrastam da época transacta está aí o sentimento de orfandade que as ausências de Adrien e William provocam. A incapacidade de reorganização e reacção após a perda sem o capitão é notória. O mesmo se pode dizer da qualidade com que saímos a jogar. E aqui é a falta de William que se nota. Se ele não é propriamente exemplar nos momentos defensivos, a sua ausência paga-se na qualidade das decisões com bola. Falta quem faça a gestão adequada do tempo certo para iniciar a saída ou de temporização com ela nos pés, diminuindo drasticamente a qualidade com que a bola chega à frente e com ela as nossas possibilidades de criar oportunidades de golo.

Depois de uma boa prestação inicial Petrovic está deixar transparecer que as listas horizontais do Sporting pesam mais que as verticais do Rio Ave. Bataglia obriga-nos a questionar constantemente se é um "6" ou um "8", não se percebendo se JJ quer ou não dar a Palhinha o "6" que  parece ser seu com naturalidade.  Nota de conforto para a chegada de Bruno Fernandes, a permitir a esperança de finalmente estar resolvida a ausência de João Mário. Mas que, pelo que se percebeu pelo último jogo, precisa de melhor companhia. Está ainda também por saber quantas obras literárias vai ter tempo Francisco Geraldes para ler até Jorge Jesus conseguir ver o quanto lhe daria jeito tê-lo na equipa.

Para já fica uma certeza: o Sporting dificilmente subirá a qualidade do seu jogo por aqui, se vier a confirmar as saídas de Adrien e William. Que, não acontecendo, vai contribuir para um indesejável excesso de opções há luz da composição actual.

Para já muitos golos prometidos mas poucos concretizados
Não será propriamente surpreendente o reduzido número de golos marcados. Que se explicam de forma rápida por três ordens de razões: Desde logo pela qualidade dos adversários escolhidos, cujos nomes estão longe de significar promessas de goleadas. Depois porque o momento ofensivo é o que pode demorar mais tempo a preparar. A presença de um novo elemento (Doumbia) e a necessidade da respectiva articulação, especialmente com Bas Dost seria um terceiro. Mas há mais. A falta de desequilibradores a partir das alas, pela ausência do rei das assistências (Gélson) e utilização tímida de Iuri Medeiros e Matheus, acrescida do facto da chegada tardia de Acuña.

Mas quem tem Bas Dost pode estagiar mais ou menos descansado. Assim Doumbia o possa complementar com acerto. Para já ficou-se pela mostra de um sentido de baliza notável no jogo com o Fenerbaçe e predisposição para explorar a profundidade, posicionando-se quase sempre no limite das linhas defensivas. Algo que vimos desaparecer com a partida de Slimani e que tanto limitou o nosso jogo ofensivo em 16/17. Mas o costa-marfinense terá inevitavelmente que dar mais não apenas no entendimento com Dost mas também logo quando a equipa perder a bola, momento em que parece alhear-se do jogo.

Tarefa em que Alan Ruiz também se tem notabilizado pela forma como se esquece dela. E quanto à participação do argentino na ligação do nosso jogo, até agora a sua actuação resume-se a uma palavra: nulidade. Perdas de bola constantes e incapacidade de ligar com os colegas. O número habitual de dar dois passos e rematar está estafado. Teria perdido espaço para Podence, não tivesse o argentino carta branca de Jorge Jesus. Já o miúdo tem um futebol quase subversivo e agitador, não parecendo conformar-se com o facto de ter o banco quase certo como destino preferencial.

Pergunta por responder
Com tanto que ainda pode acontecer enquanto o mercado parecer aberto é ainda cedo para prognósticos definitivos. Mas a grande dúvida centra-se para já na qualidade dos reforços e no contributo que estes poderão dar à equipa. A sensação de emulação do registo do ano anterior - muitas aquisições, poucos jogadores capazes de merecer o titulo de verdadeiros reforços - pareceu formar-se sobre esta passagem pelos Alpes. Os próximos jogos ajudarão a perceber melhor se se confirma ou era produto do cansaço de que falou Jesus.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

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É sempre assim no início da cada época: "Arautos da desgraça!!", gritam e acusam estridentemente os, permitam-me devolver com outro epíteto, situacionistas. Que não existam ilusões, assim é hoje com os ‘brunaicos’ como antes destes foi com os ‘croquetes’ (muitos, são os mesmos, basta vê-los nos painéis das Tvs, por exemplo…). Gritam a quem ousa questionar os critérios definidos quer ao nível da política de contratações, vendas, dispensas e gestão do plantel, quer do planeamento e preparação da nova época. No fundo sobre quem apresenta um mínimo de sentido critico perante aquilo que se observa em mais uma pré-epoca, nitidamente atípica… Nalguns casos até inédita, como ter dois jogos de preparação em 24 horas sem quase alterar a equipa titular… E logo contra adversários complicados.

No final de cada época, quando a “desgraça” é factual e desde que BdC é presidente tem sido, - talvez com a excepção da Taçazita que o treinador proscrito (nem digo o nome para não acicatar ódios…) venceu no ultimo jogo à tangente -, o que afirmam os situacionistas? Que a desgraça sirva para aprender a não repetir os erros e que para a próxima, garantem, é que é… O conselho não deixa de ter o seu acerto, com possível efeito prático e motivacional, mas é meramente circunstancial. Eis que chega a época seguinte e logo os erros se repetem. Infalivelmente, repetem-se… Tal e qual como se repetem as acusações dos conselheiros de ocasião aos que se limitaram a colocar em prática o seu conselho de final de época. Quem, passado a pausa futebolística mantém o escrutínio, resiste à silly season e identifica os mesmíssimos erros cometidos anteriormente arrisca-se a ser, de novo, um desgraçado e vil arauto da desgraça… Assim vamos, neste ciclo vicioso para a quinta (QUINTA!!!!) época com o “Salvador”: sem títulos de jeito no futebol… O único que vai mudando é a estratégia de investimento, ao sabor da maré, leia-se treinador, e do “dinheiro” disponível, sendo que este chega invariavelmente tarde e a más horas. E o resultado deste modus operandi? Foi o que o passado demonstrou, com muito ou pouco dinheiro “investido”, com mais ou menos arautos da desgraça ou do optimismo, no fim ficaram os sportinguistas a ver os títulos fugir para outras paragens. Calma… que já a seguir há-de vir quem, passado todo este tempo, ainda venha acenar com os fantasmas do passado, GL, JEB, a herança, o arco da velha… Tudo serve para desculpar. Ou então com a APAF, contradizendo-se, pois a arbitragem sempre foi particularmente agreste para com o verde e branco listado e não apenas a partir de 2013, quando se prometeram Hossanas e que dali em diante tudo seria diferente, para bem melhor, pois se tínhamos insucesso no futebol tal se devia à incompetência de quem liderava o clube.

No fundo o que se passa hoje com as hostes, digamos mais optimistas, é o velho costume da eterna desresponsabilização de quem se encontra no exercício do poder. Como se os erros reincidentes, cometidos hoje, fossem responsabilidade dos erros cometidos no passado. Pelos outros, claro.


Vou fazer copy deste post, continuando alive and kicking, vivo e com saúde, para o ano cá estarei de volta. A diferença é que basta fazer paste e poupo tempo precioso. “Oxalá me engane”, outra frase típica que repito há anos… Fica também ela guardada. Haja quem ma atire à cara lá para Maio de 2018. Da maneira que vejo a “coisa” a (des)andar, duvido muito que o ciclo se quebre. Talvez seja eu um eterno insatisfeito, ou talvez seja eu a reconhecer os sinais que a realidade faz questão de voltar a evidenciar. A quem os queira ver.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sem memória e sem vergonha!

Não era preciso ter havido o "caso Guímaro" e nem sequer o "apito dourado" para confirmar que o se via pelos estádios fora e se falava à boca pequena era verdade: todo o edifício do futebol nacional tinha em lugares-chave homens de mão ou na mão de Pinto da Costa. Mas a verdade é que ele aconteceu e depois disso nada deveria ter continuado como antes.

Mas, passado todo este tempo, verificamos agora que afinal nada se provou, com Pinto da Costa a sair ilibado. Perante isto faltam adjectivos para qualificar a actuação da justiça portuguesa, quer na sua versão civil como desportiva. Perante tantas falhas, sobretudo no carreamento de provas e no respectivo julgamento, é impossível não pensar estarmos ainda na presença de tentáculos do mesmo polvo. Mas, para lá das suspeitas e das convicções, é bem claro que o  resultado final deste processo mancha de vergonha todos os intervenientes, lançando pesado manto de vergonha e descrédito das instituições. 

Quando, algures no final da década de 80, Pinto da Costa proferiu a célebre frase "enquanto eu for presidente do FCPorto o Sporting jamais será campeão" estava a profetizar o que seriam as próximas décadas. E sabia porque o fazia porque à altura já cevava em bom ritmo o "monstro" que havia de o por a salvo da bola dos imponderáveis de que o futebol é fértil. O mesmo é dizer que estava a ponto de garantir que a falta que era fora da área passava a ser penalty se fosse em seu favor, os cartões vermelhos podiam subitamente empalidecer e outros fenómenos que não há decisões administrativas que as apaguem da nossa memória. 

Obviamente que isto tem a ver com todos os clubes, mas muito particularmente com o Sporting. Espero por isso que o clube tome uma posição oficial e tudo faça dentro do que estiver ao seu alcance para a memória deste caso não seja reescrita. Seria uma ofensa sem desculpa à memória de todos os Sportinguistas. E quem não tem memória arrisca-se a ver repetida a história, o que pode muito bem já estar a acontecer com o caso dos e-mails.

sábado, 15 de julho de 2017

Basileia 3 - Sporting 2: mais buracos que 1 queijo suiço

O Sporting acabou por perder o jogo de uma forma "natural", isto se tendermos a que os três golos estão intimamente relacionados com erros de cariz quase anedótico. Uma falta atacante transformada em penalty, uma oferta de Abze Jug e outra de André Geraldes ajudaram a construir o resultado. Vale a verdade que o penalty que nos deu a vantagem inicial é também algo duvidoso. Mas se os erros defensivos foram notórios não escapou à vista a dificuldade e criar jogo ofensivo de qualidade suficiente para criar oportunidades de golo.

Este jogo acontece a quase apenas um mês de uma eliminatória de grande importância para a época que ainda agora começa e pode-se dizer que há ainda muito para fazer e não apenas na defesa. As dúvidas sobre o acerto das contratações acentua-se mais uma vez, a que apenas Bruno Fernandes parece escapar. E mesmo considerando que podemos estar apenas na presença de natural questão de integração o tempo já não é assim tanto. 

De uma coisa não tenhamos dúvidas: com erros defensivos tão penalizadores como os registados hoje não é possível criar o clima necessário para a obtenção de resultados e de boas exibições. Aguardemos então pelo jogo da próxima terça-feira, com o Marselha, para perceber o nível em que se situa presentemente o futebol da nossa equipa.

Do ponte de vista individual não me vou estender em avaliações pormenorizadas. Mas há casos evidentes de alguns jogadores sem qualidade para pertencerem aos nossos quadros a quem não tem faltado oportunidades consecutivas de o demonstrar, enquanto outros por muito que prometam ou façam parecem estar condenados a polir os bancos e fazer peso.




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Valência 3 - Sporting 0: este sofrimento auto-infligido serviu para quê?

As suspeitas da existência de um erro de cálculo na marcação de dois jogos em 24h confirmaram-se. Bastou o primeiro quarto de hora para perceber que aos nossos jogadores foram fornecidas botas de chumbo e os do Valência tinham no seu lugar pequenos jactos, tal era a diferença de andamento. Perante isto que pedir aos jogadores? Talvez o pedido devesse ser o deles: que aquilo acabasse o mais depressa possível.

Por isso a pergunta justifica-se plenamente: serviu exactamente para quê este jogo com o Valência? Que ilações pôde tirar o treinador deste jogo, que é sobretudo para isso que se fazem os jogos de preparação? Como é óbvio o resultado é aqui do menos importante.

A menos que o objectivo fosse a instalação de instabilidade e o anti-clímax neste início de época, este jogo teve tudo de sofrimento auto-infligido de forma completamente inútil e desnecessária. Ainda por cima ante um adversário cheio de problemas e indefinições sobre a formação do seu plantel.

Para ajudar à festa a péssima gestão do tempo e oportunidade de Francisco Geraldes (Mas não só...). Tenho pena que seja tantas vezes o feitio retorcido de JJ a toldar-lhe o raciocínio e a interpor-se entre ele o sucesso. 

O do jogador acontecerá apesar disto, assim o talento tenha oportunidade real para se impor. Oxalá o Sporting saiba resguardar os seus direitos.

Sporting 2 - Fenerbahçe 1: chocolatinhos suiços

O primeiro jogo da apertada agenda de preparação em terras helvéticas pôs-nos em confronto com um adversário com um nível superior de exigência e a boa resposta dada é a boa noticia do final do dia de ontem. O resultado também o é, porque é mais fácil construir uma equipa com registos que ajudem a instalar confiança. 

Nesta fase da época é ainda cedo para grandes apontamentos colectivos, sendo nota dominante no trabalho a desenvolver a integração dos novos elementos e o conhecimento e identificação mútuos (dos que que chegam com os que já estavam e vice-versa). Ainda assim pode-se concluir, da observação do jogo, que o 442 deverá continuar como matriz. 

O nível de resposta dado, perante a valia do adversário, foi boa na maior parte do tempo, onde apenas destoaram as perdas de bola comprometedoras em algumas saídas para o ataque. O maior perigo do adversário foi por isso auto-infligido por desatenções, conseguindo, na maior parte do tempo controlá-lo.

O foco instala-se sobre os jogadores recém chegados, privilegiando-se as notas individuais:

No segundo jogo Piccini continua sem convencer, oferecendo pouco ou quase nada que não se visse em Schelloto. Muita disponibilidade física mas sem grande qualidade nas decisões. 

Primeira aparição de Mathieu, a entrada que maior perplexidade me causou, pela veterania e pela mediania de qualidades face ao elevado custo. Revelou dificuldades na manutenção da linha, o que pode ser desculpável nesta fase da época e do desconhecimento dos colegas. 

André Pinto esteve discreto mas com nota favorável pela simplicidade de processos, revelando perceber que o mais importante era não comprometer na estreia.

Para um jogador que tem jogado muito pouco e só agora começou a época, as primeiras indicações de Fábio Coentrão foram boas. Se conseguir chegar ao nível que se lhe reconhece e mantê-lo, será notória a diferença para os últimos dois anos, com beneficios evidentes para a qualidade do nosso jogo.

De regresso da Argentina Jonathan pareceu meio perdido e confuso, Atendendo às suas características é um elemento que poderia ganhar no 352 que JJ parece querer ensaiar, sobressaindo as suas qualidades a atacar sobre o pouco rigor com que defende.

Petrovic voltou na sua pior versão, a que não será alheio o facto de dispor de muito menos espaço, sobressaindo as suas insuficiencias técnicas especialmente a construir. Uma tarefa que é obrigatório ser preponderante na sua posição num clube como o Sporting.

Ao contrário do sérvio Battaglia pareceu mais nas suas águas. Exibiu confiança e conhecimento do que lhe é exigido quer a defender, ocupar os espaços e mesmo depois na decisão com a bola nos pés. Prometedor.

Matheus Oliveira é por estes dias um jogador em dificuldade para encontrar um lugar e um momento ideal para expressar as suas qualidades, o que não será alheio à novidade do que lhe é pedido e, eventualmente, pelo peso da camisola e das expectativas. Quando foi para posições mais centrais no terreno pareceu sentir-se mais confiante. 

A única dúvida que Bruno Fernandes inspira neste momento é se será capaz de se aproximar à reactividade de Adrien no momento de restabelecer os equilibrios e na procura da recuperação da bola. No mais, pelas primeiras impressões, o capitão poderá ceder o seu lugar e partir para a tão desejada e merecida promoção europeia tranquilo e com o sentimento de dever cumprido. Dizer isto a propósito de um recém-chegado e jovem é o melhor elogio que lhe poderia dar.

Quando um avançado se estreia a marcar parece ter o encontro marcado com o sucesso. E o golo de Doumbia de fácil execução não tinha nada, revelando um apurado instinto de matador. Algo que tanta falta nos tem feito noutro jogador que não exclusivamente Bas Dost.

Algumas notas breves e avulsas para Iuri e Podence. São duas certezas de talento e que deveríamos aproveitar. Depende deles mas não em exclusivo e um dos principais papéis de um treinador é a criação de um ecossistema onde o talento possa florescer e vingar.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

As perguntas que interessam sobre a abortada golpada na Liga

Preparava-se à socapa uma golpada na Liga Portuguesa de Futebol, hoje sobejamente falada em diversos órgãos de comunicação social e redes sociais. Pedro Proença, presidente da Liga, deu já conta da indignação que o referido movimento provocou no seio do organismo. No fundo, de forma simples, pretendia-se a retirada do poder que os clubes têm sobretudo no que diz respeito aos regulamentos de arbitragem e disciplina.

Para quem não se lembra, esta mudança já tinha ocorrido no sentido inverso, no inicio da década de 90 do século passado, ficando a Liga a deter competências que eram de exclusiva responsabilidade da FPF. Com isso pretendia-se modernizar o futebol português, o que deve ser lido "retirar o poder decrépito e com sinais latentes de corrupção" - que se viriam a confirmar de forma pública - detido pelas associações de futebol. Quem não se lembra dos "xitos" da AF do Porto, das grotescas negociações atrás das cortinas, de trocas de favores por lugares, etc? Pretender o regresso a este passado de má memória é pois muito difícil de entender.

Pelos vistos a golpada será objecto de uma interrupção involuntária ainda na sua gestação, pelo que tudo vai continuar na mesma na organização administrativa e legal no futebol português. Pedro Proença continuará a ser presidente da Liga, eleito com o apoio expresso do Sporting, já lá vão quase dois anos (28 de Julho de 2015). 

E é por isso, pela perspectiva de tudo ficar na mesma que se impõem as perguntas básicas:

Olhando retrospectivamente estamos melhor ou pior?

Como se pode avaliar o silêncio dos organismos que tutelam o futebol e a sua incapacidade em se regular e organizar?

Para o Sporting em particular não estamos ainda mais longe do que estávamos na capacidade de influenciar e devolver transparência e verdade às competições?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

As primeiras impressões das novas caras 17/18

É impossível de prever como será o Sporting versão 17/18, tantas são as mudanças que parecem ou podem estar em curso. Não são apenas os jogadores mas fica também a ideia que já vem da época transacta, que JJ pode recorrer mais vezes ao uso de três centrais.

Mas mesmo que assim não fosse, não seria no primeiro jogo da pré-época que se poderia tirar conclusões definitivas. Daí que ficam apenas as impressões iniciais, incidindo particularmente sobre os que acabaram de chegar. Se são reforços ou não o futuro o dirá.

Piccini
Não foi posto à prova defensivamente. Revelou disponibilidade física para fazer o corredor e dar largura mas a última decisão falhou quase sempre. A rever nos próximos jogos para se perceber se se trata de uma característica ou resultado facto de não conhecer os colegas nem as respectivas movimentações.

Petrovic
Foi outro bem diferente do que mostrou há um ano. Ao nível que apresentou é reforço. Demonstrou confiança, conhecimento do que é pedido para a sua posição, chegando a surpreender a forma assertiva como chegou e fez chegar o jogo a zonas mais avançadas do terreno, servindo bem os colegas aí colocados.

Battaglia
Pode-se dizer que, para ele, este jogo foi um Battaglia perdida. E foi assim, perdido, que andou pelo terreno.

Matheus Oliveira
As primeiras impressões confirmam os principais receios: há lugar para ele no esquema habitual de Jesus? Veremos. Sendo um jogador para quem é determinante um futebol de posse em que tenha preponderância a sua qualidade técnica e não tendo conseguido ter muita bola também passou ao lado do jogo. 

Gélson Dala
A boa prestação que teve acentuou a grande dúvida que se começou a colocar desde o que foi demonstrando desde que chegou: deve ficar ou deve sair para evoluir e voltar com outra maturidade e com melhor capacidade de decisão? Uma boa dúvida.

Leonardo Ruiz
Não lhe podia ter corrido melhor o jogo: apesar de ter entrado num momento em que já pouco se esperava, fez golo ao segundo toque, depois de uma recepção que deixou o defesa ver a relva de perto, marcando com a facilidade de um veterano. 

Bruno Fernandes
À semelhança do que disse acima de Leonardo, entrou numa altura em que o jogo já tinha pouco para dar.

Impressões em modo avulso:

Abze Jug vai para a terceira época e ainda não se consegue perceber as razões da sua aquisição, especialmente num clube que forma vários jogadores e para uma posição onde as oportunidades de jogar são muito limitadas.

Quando se vê jogar jovens com a atitude e presença de Mama Baldé perguntamo-nos sempre se é para errar porque não jogam eles ao invés de alguns "maduros" que pouco ou nada têm para nos dar.

Jovane Cabral está a precisar de algo mais do que a equipa B lhe pode oferecer, assim haja na divisão principal um projecto que lhe dê a atenção e espaço que está a pedir. 

Depois de uma época horrível em termos individuais e colectivos não deixou de surpreender a segurança exibida em todo o jogo por Tobias Figueiredo.

Não será por falta de talento que  jogadores como Iuri Medeiros, Gauld ou Francisco Geraldes não ficarão no plantel. Mas, há semelhança do que disse acima de Matheus Oliveira a sua integração no esquema de JJ afigura-se complicada e pelo menos até agora a vontade do técnico também não parece ser muito grande. Além dos que viajaram para o Algarve ainda faltam Rui Patrício, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão, William Carvalho, Adrien, Bruno César, Gelson, Alan Ruiz e Doumbia. Quase uma equipa e ainda deve chegar mais gente.

Nota final: porque jogamos com meias do avesso? Bruxedo?...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Coentrão? O tempo não anda para trás!

Ficou ontem confirmado empréstimo pelo Real Madrid do defesa esquerdo Coentrão por uma época. Tivesse a chegada de Coentrão acontecido há cerca de cinco ou seis anos não poderia ter ficado mais satisfeito com a aquisição. Acontecendo neste momento sobram muito mais dúvidas que satisfação.

Do ponto de vista estritamente desportivo a principal dúvida centra-se no que pode dar ainda o jogador à alta competição. Não só sob o ponto de vista da prontidão no plano físico - que se esbate pela aprovação do departamento médico -  mas sobretudo pela forma como o jogador se dispõe a encará-la. O plano inclinado em que resvala há um par de épocas e as "histórias" que se construíram à sua volta assim o justificam.

Para já, e enquanto a bola não começar a rolar, a questão está centrada nas suas opções clubisticas. E tal só acontece por culpa da imprevidência de Fábio Coentrão enquanto profissional. Juras de amor eterno ao SLB vão seguramente marcar a sua passagem pelo Sporting, como ontem se viu nas redes sociais. Não vale a pena vir com moralismos, não é nada que não tivéssemos visto sempre que algo semelhante aconteceu, basta só lembrar o que foi a passagem de Carrillo para o outro lado da estrada.

E se Fábio Coentrão esteve mal no passado a gestão mediática e comunicacional feita agora pelo Sporting é ainda pior porque nos remete novamente para dito episódio, obrigando-nos a recordá-lo. Do ponto de vista pessoal, não há nada que ofenda mais o Sportinguismo que ver alguém que nos renegou de forma voluntária e consciente vir agora fazer de conta que não aconteceu e que está tudo bem. Só torna ainda pior, é tratar os Sportinguistas por parvos e sem memória. 

É que não estamos a falar de um jogador. Estamos a falar de alguém que sempre se assumiu como Sportinguista desde pequenino, até ao momento em que decide esconjurar publicamente essa ligação afectiva pelo arqui-rival SLB. O aparecimento de Fábio Coentrão no vídeo referido, voltando ao "sportinguista desde pequenino", ao invés de fazer esquecer esse momento ainda o torna mais presente. Resulta ofensivo e até patético. 

Melhor teria sido lembrar apenas que contratamos um jogador profissional que, por acaso e até há bem pouco tempo, era do melhor que havia na sua posição, ao ponto de ter os grandes clubes atrás dele. É certamente à procura dessa reabilitação que Fábio Coentrão chega a Alvalade.

Olhando para o passado, talvez a sua escolha não possa ter sido melhor. Os melhores tempos viveu-os com Jorge Jesus, que muito justamente deve ser considerado como pai, padrinho e até anjo da guarda da sua carreira. E foi também com um técnico português - Mourinho - que o jogador melhor conseguiu expressar a sua qualidade. Talvez tal não seja mera coincidência, sabendo-se como se sabe das características peculiares do jogador, moldadas pelo contexto em que se formou.

As dúvidas tenderão a desaparecer ou a acentuar-se pela qualidade das suas exibições. Se Fábio Coentrão conseguir aproximar-se do melhor do potencial que projectou e conseguiu confirmar, o Sporting contratou um dos melhores laterais-esquerdos possíveis. O nosso futebol poderá finalmente avançar para um novo nível, que as opções anteriores à disposição de JJ não permitiam. 

Mas não deixa de fazer sentido se com tantas interrogações e com o custo elevado (2 milhões???) desta operação esta será a opção correcta para o Sporting. Pela envolvente emocional e profissional a pressão é grande. E correndo bem, o Sporting reabilita um jogador para o Real Madrid de cuja operação pode apenas retirar o rendimento desportivo. Talvez desse mais trabalho, mas não seria mais avisado buscar uma solução com mais futuro?

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A p#t@ da Gala e a m€4)@ da camisola alternativa

Breve Balanço de Época
A Gala Honóris é um acontecimento recente na história do Sporting que acaba por juntar a data de aniversário do clube com o final mais ou menos generalizado da época desportiva. É por isso um momento de balanço, onde se homenageiam os que mais se destacaram ao longo da época. Nesse sentido, não tivesse sido o desastre registado na modalidade mais representativa e estaríamos a falar de um bom ano. 

Bolas! Mas também não foi mau, afinal cumpriu-se um dos sonhos mais ansiados de todos nós, há casa nova para as muitas modalidades que tiveram que andar duas décadas de mochila às costas. E se atendermos ao muito que se conseguiu (no computo geral 61 títulos, se as contas não me falham ) muito se deveu precisamente à componente eclética do clube.

Aqui há que dizer que se pagaram alguns dividendos do vultuoso investimento realizado, acabando por triunfar a mudança de estratégia da direcção. Obviamente que me preocupa a questão que é inevitável: isto é sustentável? Teremos que esperar mais algum tempo para o perceber, mas pelo menos, e ao contrário do futebol, já há resultados palpáveis. 

Talvez tenha que ser este o caminho, igualando o que é feito pelos rivais, interrompendo ciclos negativos, para posteriormente conseguir impor uma nova filosofia. Destacaria obviamente o regresso aos triunfos no andebol e o triunfo absoluto histórico e quiçá inigualável no futebol feminino. 

A p#t@ da Gala
Definitivamente há um novo normal no Sporting e a última gala confirma-o logo nos seus primeiros momentos. O apresentador glorifica um momento extremamente infeliz do presidente ("a puta da gala é quando eu quiser!") e os principais atingidos por essa manifestação de poder prepotente e despótico aplaudem a ofensa como se de um elogio se tratasse.

O discurso evocativo dos 111 anos de existência do Sporting Clube de Portugal é pontuado com referências ao arqui-rival. O diligente director de comunicação que lhe levou o discurso então que lhe explique melhor a ideia de que o SLB vive obcecado pelo Sporting. Acresce que o que deveriam ser piadas arrancaram apenas sorrisos amarelos, fazendo lembrar aqueles momentos constrangedores quando nos casamentos e baptizados aparece alguém com ideia que encarnou o Benny Hill. Humor é uma coisa séria e não é para todos.

Uma das principais vitimas foi precisamente a sua actual esposa, como se percebeu pelos sorrisos forçados. Não tenho a mínima intenção de me debruçar sobre a vida pessoal do presidente, mas não nos a imponha ele em forma quase permanente. Sem qualquer ironia, desejo as maiores felicidades a ambos, mas o Sporting não devia ser tratado como se fosse "o da joana", ou como uma extensão da sua casa.  Tem tudo para correr mal, tendo-se o próprio já queixado de os média não respeitarem algo que ele se encarregou de promover e abrir a porta.

Sobre a gala propriamente dita não tenho opinião formada, por nunca ter assistido a nenhuma. Provavelmente nunca o farei por ser avesso a cerimónias. A questão da data só o foi este ano porque também foi o próprio presidente que se encarregou de a tornar num assunto polémico. Mais importante, para a generalidade dos Sportinguistas, foram as portas abertas da generalidade das instalações, especialmente do novo pavilhão João Rocha. 

É este género de manifestações que celebra o verdadeiro espírito do clube que é, ao contrário das lendas, eminentemente popular, como se explica pela sua implantação nacional e em todo o mundo onde há portugueses. E será também por obras  como o pavilhão que no futuro o nome de Bruno de Carvalho será lembrado, não é preciso que ele a imponha em frases sem a menor relevância para o universo leonino. João Rocha não o fez, sempre foi avesso a distinções, honrarias e protagonismos e tem um pavilhão que ostenta o seu nome.

A m€4)@ da camisola alternativa
Tema central da gala foi  a apresentação da camisola alternativa. Entre amigos disse que preferia uma de manga comprida, porque só uso pijama no inverno. Agora mais a sério: alternativa é isso mesmo, para ser usada quando as que nos identificam por alguma razão regulamentar estejam impedidas. 

Ora, sobre esta camisola, e respeitando todos os gostos, o que é importante dizer é que, se lhe retirarmos o emblema, podia ser de outro clube qualquer, fosse o Setúbal, Rio Ave, Moreirense, etc. Assim sendo, quer dizer que não tem o elementar: alma Sportinguista. E não faltam exemplos por ai fora de camisolas interessantes, feitas por mais ou menos anónimos mas fervorosos Sportinguistas. Alguns exemplos acima, que dada a eqxiguidade do tamanho nem fazem justiça aos originais. Mas qualquer uma delas faria melhor papel que a foi eleita.

Talvez tal como nos discursos muito se ganharia se nos cingíssemos ao que é importante e eliminássemos os ruídos e cacofonias.

sábado, 1 de julho de 2017

Obrigado a todos os que fizeram estes 111 anos de história.

Obrigado a todos que fizeram deste símbolo uma presença incondicional nas nossas vidas. Um obrigado redobrado e muito especial a todos aqueles que deram o melhor de si, muitas vezes com elevados custos pessoais e familiares, de forma anónima e desprendida. Provavelmente não figuraram nos registos nem nas nossas fotos de ocasião e de família. Mas se é incontornável o papel dos nossos fundadores o deles não o é menos. Os nossos 111 anos também se devem a eles. Dos mais conhecidos até todos os mais relevantes, o Sporting tem os melhores adeptos do mundo e hoje é dia de os lembrar a todos sem excepção.

Mais dia menos dia o que conta é a intenção.

Apanhado de surpresa pelas comemorações da fundação do Sporting a 30 de Junho, queria deixar votos de genuína felicidade, muita felicidade, ao meu primo Roberto e à sua simpatiquíssima namorada Adelina. Casam-se hoje na Lourinhã. Não os vejo há sensivelmente 12 anos mas na eventualidade de pouco ter mudado são um casal simplesmente amoroso, especialmente quando fazem vídeos de agradecimento e os partilham comigo. Ontem, dizia o Roberto: Sabes, não sei se será boa ideia casar-me. É que eu gosto de caçar Pokémon Go sozinho e a Adelina não me deslarga. Estou farto da falta de consideração. Mas Roberto, falta de consideração tem aquela que divorciaste não é? Sempre a chatear nas revistas. Realmente é. O Cláudio sabe. Quem? O Cláudio não sabe nada e ele e o Tallon nem se conhecem. Nós somos amigos.
Olha vou ter de desligar porque os carneiros já chegaram à Gala ...

Noutros casamentos (adição): Bruno de Carvalho com receio de atentado no casamento

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